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Debate promovido pelo FPUSP e Alumni USP discute impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho

4 de novembro de 2026

O avanço da inteligência artificial e seus impactos sobre o futuro do trabalho foram tema de debate realizado na quinta-feira (29/10), no Auditório István Jancsó, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária. Promovido pelo Fundo Patrimonial da USP (FPUSP) e pelo Alumni USP, o encontro reuniu o professor Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP), e Paulo Silveira, fundador da Alura e egresso da Universidade, para discutir as transformações provocadas pela inteligência artificial e as competências que serão necessárias aos profissionais nos próximos anos.

Em sua apresentação, Finger percorreu sua trajetória na inteligência artificial, desde os primeiros contatos com a área, ainda nas décadas de 1980 e 1990, até o desenvolvimento recente dos grandes modelos de linguagem (LLMs). O professor destacou a importância da arquitetura Transformers, introduzida em 2017 e que constitui a base tecnológica dos atuais LLMs. Também apresentou iniciativas de pesquisa que demonstram as possibilidades de desenvolver inteligência artificial a partir de recursos e dados próprios, sem depender exclusivamente das grandes empresas de tecnologia. Entre os exemplos, estão projetos voltados à língua portuguesa, à tradução do tupi antigo e à aplicação de IA em contextos com recursos computacionais limitados.

Paulo Silveira, por sua vez, trouxe a perspectiva do mercado de tecnologia e da formação profissional. Ao abordar as competências necessárias aos jovens que ingressam no mundo do trabalho, destacou a importância da capacidade de colaborar com pessoas de diferentes especialidades. “O jovem hoje, para ingresso no mercado de trabalho, precisa aprender a ter ‘multidisciplinaridade’, ou seja, ter capacidade de aprender diversas funções ao mesmo tempo e a habilidade de se integrar com diversas pessoas de especialidades diferentes”, afirmou. Para Silveira, os projetos aplicados desenvolvidos na USP favorecem naturalmente essa integração de conhecimentos e áreas.

Outro ponto destacado por Silveira foi a necessidade de desenvolver pensamento crítico para utilizar a inteligência artificial. Segundo ele, os profissionais precisam ser capazes de avaliar as respostas produzidas pelas ferramentas, verificando sua coerência e correção. “Para isso, aprender o fundamento da matéria de pesquisa ainda é extremamente necessário e insubstituível”, ressaltou. O encontro reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios da inteligência artificial e reforçou a importância da formação universitária, da pesquisa e da aproximação entre a academia e o mercado para pensar os caminhos do trabalho no futuro.

 

 

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