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Fundos patrimoniais e universidades: parceria e independência

28 de outubro de 2024

Os fundos patrimoniais para as universidades, também chamados de endowments, propiciam investimentos em ensino, pesquisa e inovação. 

É uma relação de parceria e independência. A universidade tem como objetivo prover educação superior de excelência e promover a pesquisa. Enquanto a missão do fundo é captar recursos e distribuir os rendimentos para apoiar projetos que a beneficiem.  

Não é à toa que em algumas nações eles são muito comuns, há anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 2023, o valor acumulado dos fundos de 688 universidades somava quase 840 bilhões de dólares! Só a Universidade de Harvard, que tem o maior fundo patrimonial do mundo, concentra US$ 49,5 bilhões. 

Por aqui, segundo o Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil, do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), existem 107 fundos, totalizando R$ 157 bilhões, sendo 52 voltados à educação. Se compararmos aos Estados Unidos, a diferença mostra o quão necessário é investir no crescimento e desenvolvimento dos fundos para fortalecer o Ensino Superior brasileiro.

Como tudo começou no Brasil

Os fundos patrimoniais começaram a ganhar destaque no País após o incêndio no Museu Nacional, em 2018, que dizimou documentos, livros, coleções, salas de aula, arquivos e laboratórios. 

O desastre trouxe à tona a fragilidade do financiamento público de instituições culturais e educacionais. No ano seguinte, foi aprovada a Lei nº 13.800/2019, estabelecendo o marco legal para a criação e gestão de fundos patrimoniais por organizações sem fins lucrativos, como universidades e museus. 

Dessa forma, essas instituições podem obter recursos, por meio de doações, que aplicados no mercado financeiro geram rendimentos para apoiar suas atividades de modo sustentável e perene. 

Esses recursos não excluem a necessidade de investimentos governamentais nessas instituições, e tampouco têm intenção de privatizá-las. Seu objetivo é complementar o orçamento e financiar projetos de diversas áreas. Entre os campos de atuação estão: ensino, ciência e inovação, cultura, diversidade, inclusão social e permanência estudantil, infraestrutura, saúde e sustentabilidade ambiental. 

A Lei nº 13.800/2019 é muito clara nesse sentido, pois destaca que, no caso de universidades públicas, o fundo não pode substituir o orçamento do governo. Outros pontos importantes da lei:

 

Benefícios à universidade provenientes de fundos patrimoniais

Os fundos patrimoniais permitem a criação de uma base financeira sólida que suporta a continuidade de projetos e a inovação acadêmica, mesmo quando ocorrem restrições orçamentárias. Uma vez que os mesmos promovem diversificação de fontes de recursos. 

Assim, no caso das universidades públicas, o acesso a recursos não é engessado pelo orçamento governamental. Já para as instituições privadas, eles são potencializados para despesas institucionais, de manutenção e investimento na área administrativa. 

Por fim, os fundos patrimoniais são um instrumento para engajar alunos, como forma de reter os melhores talentos. Essa também é uma estratégia para ex-alunos, que veem uma oportunidade de retribuir tudo o que receberam enquanto estudantes. 

Além de um fundo patrimonial geral, as universidades podem manter outros fundos, de propósito específico, para bolsas de estudo, por exemplo; ou, ainda, reunir vários fundos em um único, permitindo uma abordagem de investimento consistente.

Desafios enfrentados por fundos patrimoniais

Para que os fundos patrimoniais universitários no País avancem, alguns desafios precisam ser superados. Sendo assim, conscientizar a sociedade sobre a importância da cultura de doações e incentivar o envolvimento de ex-alunos e setor privado.  

Gestores de fundos patrimoniais apontam que a captação de recursos é o maior problema, seguido pela busca da rentabilidade e pela consolidação do fundo. Este último fator envolve também a sua administração, que requer uma composição balanceada no Conselho e uma política de resgate eficiente, que garanta o financiamento da atividade de interesse, sem comprometer a perenidade do fundo, inclusive contra perdas inflacionárias, e gerar resgates recorrentes e previsíveis.  

Há um grande futuro para os fundos patrimoniais universitários no Brasil. É um trabalho de formiguinha, mas quanto mais falamos sobre o assunto, maior o interesse gerado, abrindo caminho para novas parcerias e doações. 

 

 

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